Maxine Peake afirma que Jenna Reid, sua personagem em Desaparecida, não deve ser vista apenas como uma vilã. Na série do Apple TV, a atriz procura entender as razões por trás das escolhas da personagem e indica que a moral dela continuará contraditória até o fim da história.
A visita de Jenna à floricultura de Debbie (Jess Wren), no terceiro episódio, expõe a dificuldade da personagem em lidar com o luto. Para Maxine, a tentativa de evitar esse sofrimento não poderia durar para sempre. "Eles tentaram se proteger disso, mas não é possível. Você apenas prolonga, não é? Há um ponto em que a tampa da panela de pressão não pode mais permanecer fechada. Ela está pronta para explodir", afirma.
Saúde mental e relações familiares
A confissão feita por Jenna à florista também revela, na avaliação da atriz, uma percepção distorcida da realidade. Mãe de Sarah (Chloe Jean Lourdes), a personagem teria passado a interpretar os acontecimentos a partir de uma visão própria, afastada do que os demais enxergam.
Maxine relaciona o comportamento dúbio de Jenna ao agravamento de sua saúde mental. No começo da série, ela identifica uma mulher fragilizada e em sofrimento. A convivência com Henry (Brendan Cowell), segundo a atriz, contribuiu para tornar a situação ainda mais difícil.
O trabalho exigiu abordar o tema sem transformar Jenna em vítima. Para construir a personagem, Maxine também levou em conta a humanidade presente nos envolvidos, incluindo Ian Ridley (Patrick Brammal), apontado como o mocinho da trama, mas que também tem atitudes questionáveis.
"Nossa saúde mental é muito complexa, assim como o que nosso cérebro pode fazer e como enxergamos nossa realidade, como podemos aceitar ou não nosso passado", diz a atriz. Na visão dela, Jenna acredita que suas decisões representam a única esperança para a família, até que tudo começa a se confundir.
Sem revelar detalhes do final, Maxine adianta que algumas questões permanecerão sem resposta. Jenna compreenderá o sentido de suas ações, mas seguirá dividida entre altruísmo e perversão, enquanto precisa encarar as próprias escolhas.



