A HBO Max estreia na quinta-feira (10) a série documental Morte e Mistério na Amazônia, que revisita a trajetória de Tatunca Nara e as suspeitas relacionadas ao desaparecimento e à morte de exploradores estrangeiros na floresta.
Dirigida e produzida por Tatiana Issa e Guto Barra, a produção examina as histórias contadas pelo autoproclamado cacique durante décadas. Tatunca afirmava ser descendente dos Ugha Mongulala e dizia conhecer o caminho até Akakor, uma suposta cidade perdida no coração da Amazônia.
Investigação e contradições
O caso ganhou força entre as décadas de 1970 e 1980, quando relatos sobre uma antiga civilização passaram a atrair exploradores e pesquisadores estrangeiros. Tatunca participou de algumas expedições como guia e, depois, teve o nome associado à morte de pessoas que estiveram na região.
Para realizar a série, a equipe consultou arquivos e documentos na Alemanha, na Suíça, nos Estados Unidos e no Brasil. Também ouviu pessoas que tiveram contato direto com Tatunca e acompanharam episódios importantes da história.
O próprio Tatunca foi entrevistado para a produção, depois de passar décadas sem apresentar sua versão dos fatos. A presença dele serviu para expor mudanças de narrativa e contradições identificadas durante a investigação. A equipe afirma que os relatos sobre Akakor são apresentados como alegações, sem transformar a suposta civilização perdida em um fato comprovado.
Guto Barra explicou que o trabalho buscou se apoiar em informações verificáveis e deixar claro quando determinadas afirmações não encontravam respaldo nas evidências disponíveis.
Desaparecimentos e falhas nas apurações
Os diretores afirmam ter encontrado provas de que as mortes ocorreram, mas dizem não ser possível determinar exatamente como alguns dos desaparecimentos aconteceram. A investigação também identificou falhas em apurações realizadas ao longo das décadas, com indícios relevantes que não levaram a avanços.
Documentos e processos de diferentes países revelaram a participação de autoridades brasileiras, alemãs, suíças e norte-americanas. A diferença entre as jurisdições contribuiu para manter perguntas sem resposta, enquanto um investigador suíço avaliou que as evidências poderiam ser suficientes para uma condenação caso Tatunca fosse levado a julgamento no país.
A série também discute como histórias repetidas por jornalistas, autores e outras pessoas podem ganhar legitimidade mesmo sem comprovação. Para Adriana Cechetti, diretora sênior de Conteúdo Não-Ficção da HBO no Brasil, o caso combina mistério, investigação e consequências que permanecem atuais.
Cinquenta anos depois do início das histórias envolvendo Tatunca Nara, Morte e Mistério na Amazônia busca separar a lenda dos fatos e examinar as evidências reunidas sobre um caso que continua sem respostas definitivas.



