SÃO PAULO — O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) afirmou que o eleitor brasileiro está anestesiado diante da crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Em sabatina realizada em 11/09/2026, ele disse que o presidente Lula é o principal prejudicado pelo episódio e criticou Flávio Bolsonaro (PL), chamado de ladrão pelo candidato.
Renan declarou que não apoiará nenhum adversário em um eventual segundo turno. Na última pesquisa Datafolha divulgada no início do mês, ele apareceu com 3% das intenções de voto, atrás de Lula (38%), Flávio (33%) e Augusto Cury (8%). O candidato ficou tecnicamente empatado com Caiado (4%).
“Os escândalos já anestesiaram o eleitor”, afirmou Renan. Ele também criticou os adversários por não participarem de debates ou sabatinas e disse que Lula e Flávio utilizam suas bases políticas para tentar chegar ao segundo turno.
Ataques a Flávio e ao bolsonarismo
Renan negou qualquer semelhança com Flávio Bolsonaro e afirmou que não existe possibilidade de apoiá-lo. “Não tenho característica nenhuma do Flávio Bolsonaro, eu não sou ladrão”, disse. Na mesma declaração, chamou o senador de estúpido, fujão e bandido da política.
O candidato do Missão também afirmou que não existe diálogo com o bolsonarismo. Para ele, o grupo político do ex-presidente exige submissão, assim como o PT. Renan declarou que pretende superar essa resistência.
Sobre o STF, Renan disse que, se for eleito, não considerará aceitáveis decisões dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Ele afirmou que os dois não têm legitimidade e que não deveriam estar na Corte.
As declarações ocorreram em meio à crise envolvendo os ministros e Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Mensagens entre Moraes e Vorcaro foram encontradas pela Polícia Federal e se tornaram públicas na semana passada. A relação de Toffoli com o banco também foi exposta. Um fundo ligado à instituição era sócio do resort Tayayá, associado à família do ministro.
Críticas a Augusto Cury e propostas
Renan questionou o crescimento de Augusto Cury (Avante) nas pesquisas. Segundo o candidato, o adversário usou ferramentas de compra de influenciadores para criar um efeito de bolha dirigido a determinado público. Renan afirmou que esse efeito já terminou.
Ele também criticou uma norma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, em sua avaliação, impede o funcionamento dos algoritmos durante as eleições e evita que conteúdos ultrapassem a bolha de um político. Renan disse que levantamentos internos indicam vantagem sobre Caiado e Zema e que a distância para Cury não deve aumentar.
Na área de segurança pública, o candidato declarou ser favorável à pena de morte, mas afirmou que não adotaria a medida em um primeiro mandato. Para isso, seria necessário alterar a Constituição. Ele defendeu, em seu plano de governo, prisão perpétua, aumento de penas e outras medidas.
Renan também afirmou que é possível derrotar o crime organizado sem a pena de morte. Em entrevistas anteriores, defendeu que a polícia atire para matar e citou a política de segurança implementada pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele.
Ao responder sobre o aumento dos feminicídios, Renan criticou a atenção dada ao tema e mencionou mortes de homens negros, crianças e adolescentes. Ele afirmou que o feminicídio representa 4% das mortes citadas por ele e que outras 12 pessoas, entre crianças e adolescentes, estariam nesse grupo de cem mortes diárias mencionado durante a sabatina.
O candidato também criticou o movimento feminista brasileiro, que classificou como ligado a um nicho político, e defendeu a redução de todos os tipos de violência.



