A Polícia Federal encontrou um e-mail que registra uma reserva de jatinho para Flávio Bolsonaro, sua mulher, Fernanda Bolsonaro, e as filhas do casal. A viagem, marcada para sair de Brasília com destino ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, não ocorreu nas condições indicadas na reserva, segundo a investigação.
A mensagem foi extraída do celular do advogado Willer Tomaz, alvo de busca e apreensão na operação que apura supostas fraudes do INSS. Enviada pela Prime You, empresa de táxi aéreo que teve Daniel Vorcaro como um dos sócios, a comunicação trazia a confirmação do voo e a relação dos passageiros.
O e-mail foi recebido por Willer em 13 de janeiro de 2024, com informações sobre uma viagem prevista para o dia seguinte. A aeronave indicada era um Legacy 650, de prefixo PP-NLR.
Registros analisados pela PF
A PF concluiu que o voo não foi realizado conforme a reserva. Registros migratórios mostram que Willer entrou no Brasil às 22h13 de 14 de janeiro, vindo da Cidade do Panamá, em outra aeronave privada. Flávio entrou no país às 00h43 do dia seguinte, também procedente da capital panamenha, mas em um voo comercial.
Dados de plataformas de monitoramento do tráfego aéreo indicam que o avião permaneceu em Brasília em 14 de janeiro de 2024 e seguiu para Miami dois dias depois. Flávio foi procurado para comentar a reserva entre Brasília e São Paulo, mas não se manifestou.
O senador afirmou que, na viagem feita em janeiro de 2025 para retornar de Fort Lauderdale, na Flórida, a Brasília, acreditava que o avião pertencia a Willer. “Para mim, o avião era do Willer”, disse. Segundo Flávio, ele não tinha conhecimento sobre a participação na Prime You e não teve contato com Vorcaro.
Willer também declarou que não conhece Vorcaro e que o banqueiro não pagou, não autorizou nem participou do voo para a Flórida. O advogado não se manifestou sobre a nova reserva.
Participação na aeronave
Vorcaro foi sócio da Prime You até setembro de 2025. A empresa firmou, em dezembro de 2022, contrato de dez anos com a Fraction 024 para operar e administrar o jatinho. Documentos analisados pela PF indicam que uma empresa de Vorcaro detinha 33% da Fraction 024, proprietária do Legacy 650 de prefixo PP-NLR.
Em maio de 2025, a Viking Participações firmou contrato de serviços advocatícios de até R$ 50 milhões com o escritório Barci de Moraes. Um termo posterior previa quitar R$ 40 milhões por meio da transferência de participações em empresas ligadas a aeronaves. O escritório afirmou que não adquiriu as cotas previstas no acordo.




