A Polícia Federal descreve Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, como “pioneiro nas Bahamas” por estruturas offshore que teria montado no país. Ele é dono da Entre Investimentos e operador financeiro de Daniel Vorcaro no financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
A informação aparece em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), citado pela PF ao pedir uma investigação específica sobre o financiamento da produção. A apuração integra a Operação Crédito Oculto, terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24).
Relação com empresas ligadas à campanha
Documentos societários mostram que a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma contratação de R$ 1,5 milhão com a Hanbellseg Serviços e Locações Ltda., empresa de Sorocaba. A companhia também recebeu R$ 500 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).
As sócias da Hanbellseg, Carolina Carmezin Beldi e Beatriz Carmezim Beldi, integram ainda a Golden Atividades Imobiliárias Ltda. A empresa tem capital social de R$ 14,9 milhões, e sua maior sócia é a Feyther Investment Fund Ltd., fundo constituído nas Bahamas.
Em novembro de 2025, uma alteração contratual aumentou o capital da Golden em R$ 3.417.858, admitiu Beatriz e Mariana Carmezin Beldi como sócias e transferiu a sede para a Rua Vicente Lamarca, 326. No mesmo número estão registradas a Hanbellseg e a HB3 Serviços de Terceirização.
A Golden passou de R$ 11.556.301 para R$ 14.974.159 em capital social. As novas quotas foram integralmente subscritas pela Feyther, que passou a deter 9.388.000 das 14.974.159 quotas, participação de 62,65%.
Não há indicação de transferência de recursos da campanha para a Golden ou para a Feyther. Os registros apontam a estrutura societária das proprietárias da empresa contratada com recursos eleitorais.
Registros internacionais
A Feyther tem CNPJ 19.311.044/0001-60 no Brasil. Documento emitido pela Receita Federal em 23 de setembro de 2026 registra a empresa como domiciliada no exterior e aponta que o cadastro está suspenso desde 9 de outubro de 2021, por inconsistência cadastral.
O contrato da Golden informa que o fundo foi constituído pelas leis das Bahamas e tinha endereço em Winterbotham Place, Marlborough and Queen Streets, em Nassau. Na lista da Securities Commission of The Bahamas de 30 de setembro de 2020, a Feyther aparece sob a classificação SFM 004, administrada pela The Winterbotham Trust Company Limited. Na relação de 31 de maio de 2026, o fundo não consta mais.
Na Flórida, a Feyther aparece como manager da Golden Florida Real Estate LLC, aberta em 21 de maio de 2015 sob o número L15000090133. O registro atribui ao fundo um endereço em Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas. A Golden Florida passou a informar Curitiba, no Paraná, como endereço principal após alteração registrada em 23 de abril de 2026.
Os documentos analisados não identificam o beneficiário final da Feyther. Nelson Diniz da Costa aparece como procurador do fundo no Brasil e administrador da Golden. A existência de estrutura internacional, por si só, não representa irregularidade.



