O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu ter negociado com Daniel Vorcaro, do Banco Master, o financiamento de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A confirmação ocorreu depois da divulgação de mensagens e áudios que mostrariam cobranças do parlamentar ao banqueiro por parcelas do acordo.
Antes disso, Flávio havia negado qualquer ligação de sua família e da direita com Vorcaro e afirmado que o escândalo envolvendo o banco tinha relação com o PT e a esquerda. Durante um evento de pré-campanha em Santa Catarina, chegou a usar uma camiseta com a frase “O Pix é do Bolsonaro; o Master é do Lula”.
O contrato para o filme
De acordo com os diálogos divulgados, Vorcaro teria repassado R$ 61 milhões para a produção de Dark Horse, ainda não lançada. O valor total previsto no acordo seria de US$ 24 milhões, equivalente a cerca de R$ 134 milhões na época.
Em nota divulgada na quarta-feira (13/05), Flávio disse que se tratava de um patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Em vídeo, afirmou que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, quando não havia acusações contra o banqueiro e o governo de Jair Bolsonaro já havia terminado.
O senador também declarou que o empresário deixou de cumprir parcelas previstas. “Sim, tinha um contrato”, afirmou. Flávio negou ter oferecido vantagens, promovido encontros fora da agenda, intermediado negócios com o governo ou recebido dinheiro e outros benefícios.
Vorcaro está preso sob acusação de comandar fraudes bilionárias no Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro. Ele negocia um acordo de delação premiada.
Declarações anteriores
Na quarta-feira, antes da divulgação dos diálogos, Flávio foi questionado sobre o financiamento e respondeu: “É mentira”. Em 23 de março deste ano, ao repostar uma entrevista, havia chamado de narrativa falsa a associação entre sua família e Vorcaro.
O senador também defendia a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar o caso. Em suas manifestações, vinculava o Banco Master ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao PT e à esquerda, além de citar os políticos baianos Rui Costa e Jaques Wagner.
Flávio relacionou essas acusações à venda de operações de crédito consignado do CredCesta pelo Banco Master. Segundo informações enviadas pela Receita Federal à CPI que investiga o crime organizado, entre 2022 e 2024 o banco registrou R$ 2,4 bilhões em receita com a venda dessas carteiras, enquanto as mesmas operações geraram R$ 1,9 bilhão.
As diferenças foram apresentadas como possível indicação de que o banco apostava no ágio obtido com a revenda dos contratos. Rui Costa era governador da Bahia durante a privatização da estatal Ebal, responsável pelos supermercados Cesta do Povo e pelo CredCesta. Jaques Wagner era secretário de Desenvolvimento Econômico do estado em 2018.
Costa afirma que a estatal deficitária foi vendida para reduzir o prejuízo público e nega irregularidades. Wagner também nega envolvimento nas negociações ou intermediação em favor de empresas e contratos. Ele disse que a empresa de sua nora prestou serviços ao Banco Master em período posterior à privatização.
Cobranças por uma CPI
Em 9 de maio, Flávio afirmou que o PT havia tentado impedir a investigação e questionou se isso teria relação com políticos baianos ou com pagamentos recebidos por uma empresa ligada à família de Jaques Wagner. Em 10 de maio, voltou a atribuir o escândalo do Banco Master a Lula.
Em março, após a notícia de que Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, havia doado R$ 3 milhões à campanha presidencial de Jair Bolsonaro, Flávio disse que não existia vinculação ou contrapartida. Na ocasião, afirmou que a ligação do Banco Master estava longe de alcançar a direita.
O senador também criticou uma reunião entre Lula e Vorcaro no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, que não teria sido registrada em agenda oficial. Agora, ao confirmar a negociação para o filme, manteve a defesa da CPI e pediu que Vorcaro revele, em eventual delação, tudo o que sabe.




