O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) articulou o adiamento da votação da proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6×1 no Senado. Após a aprovação do texto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na quarta (2), ele procurou o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, e alegou que a análise poderia desequilibrar as eleições.
Alcolumbre anunciou que a PEC deve ser votada ainda em 2026, mas somente depois do pleito. A avaliação de integrantes do governo e de senadores da base e da oposição é que a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal abriu espaço para a articulação de Flávio e seus aliados.
Os desdobramentos do escândalo do Banco Master incluíram vazamentos sobre a relação do ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro e questionamentos sobre a relatoria do ministro André Mendonça em inquéritos ligados aos casos do Master e do INSS.
Risco para a proposta
Defensores do fim da escala 6×1 no governo avaliam que o adiamento pode dificultar a aprovação da PEC. Dois terços do Senado estão em disputa nesta eleição, e a proximidade do pleito era apontada como um incentivo para que parlamentares apoiassem a mudança.
Na Câmara, 472 dos 513 deputados aprovaram a proposta. O fim da escala também tem apoio de cerca de 70% da população, de acordo com pesquisas mencionadas na análise. A medida é tratada como uma aposta do presidente Lula (PT) para melhorar sua popularidade na reta final da campanha.
Antes de atuar pelo adiamento, Flávio tentou avançar com a chamada PEC da Hora Trabalhada. A proposta previa remuneração por hora e mais flexibilidade, mas não eliminava a escala 6×1, que continuaria como limite. Uma eventual redução da jornada dependeria de negociação entre patrão e empregado.
Como o texto alternativo não avançou na CCJ, o senador conseguiu o compromisso de Alcolumbre sobre a votação após as eleições. Flávio também evitou declarar publicamente que votaria contra o fim da escala. Em vez disso, afirmou: “a favor da nossa proposta”.
“Nós vamos trabalhar pela liberdade, para que o trabalhador brasileiro possa escolher a sua própria carga horária de trabalho ou como é que vai trabalhar”, disse o senador.
Na CCJ, Rogério Marinho (PL-RN), autor da proposta alternativa da oposição e coordenador da campanha de Flávio, pediu vista. A análise foi retomada uma hora depois, e a tentativa de incluir trechos da proposta alternativa na PEC do fim da 6×1 foi rejeitada.
Durante o debate, Marinho afirmou que reduzir a jornada sem cortar salários elevaria custos. O relator Omar Aziz (PSD-AM) reagiu e questionou se os deputados do PL que apoiaram a proposta na Câmara também seriam considerados incompetentes. Em maio, apenas 11 dos 97 deputados do PL votaram contra o fim da escala 6×1.



