Niterói, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Dólar R$ 5,18 · Euro R$ 5,88 · Ibovespa 186.340 +0,00% Niterói 22°C 22° / 33°
Brasil

Ex-sócio de Flávio Bolsonaro diz guardar documentos contra senador

Alexandre Santini cobra cerca de R$ 1,4 milhão de Flávio e afirma ter registros sobre negócios e episódios pessoais do senador.

Quem é Santini, ex-sócio que diz poder colocar Flávio na cadeia
Foto: Reprodução

O empresário paulista Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio e ex-amigo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirma guardar mensagens, áudios, comprovantes bancários, notas fiscais e fotografias reunidos ao longo de quase duas décadas de convivência com o senador. O acervo passou a ser mencionado após o rompimento entre os dois, ligado a uma disputa financeira sobre uma antiga sociedade comercial.

Santini conheceu Flávio no início dos anos 2000, no Rio de Janeiro, por meio de amigos em comum. Na época, mantinha uma empresa de importação e exportação com Carlos Alberto Parreira, ex-técnico da Seleção Brasileira. A proximidade com a família Bolsonaro levou o empresário a participar de viagens, festas e eventos privados, incluindo encontros na casa do jogador Neymar e réveillons em Angra dos Reis.

A sociedade na loja de chocolates

Quando Flávio ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro, convidou Santini para integrar a Bolsotini Chocolates e Café Ltda., uma franquia da Kopenhagen no shopping Via Parque, na Barra da Tijuca. Santini afirma que cuidava da administração diária e do caixa do estabelecimento.

A loja foi citada nas investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre o esquema de “rachadinhas” no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Promotores levantaram a suspeita de que o local pudesse ter sido usado para lavar recursos provenientes do recolhimento de parte dos salários de assessores e chamaram Santini de “laranja de luxo”.

O empresário diz ter cobrado de Flávio um acerto de aproximadamente R$ 1,4 milhão por distribuição de lucros, aportes realizados no começo da sociedade e despesas que afirma ter pago sem ressarcimento. Em uma reunião no gabinete do senador no Congresso Nacional, Santini relata ter apresentado uma planilha com os valores. Segundo ele, o débito, sem atualização, chegaria a R$ 1,7 milhão.

Santini afirma que, após a cobrança, Flávio negou a dívida e disse que ele deveria procurar a Justiça. O empresário depois enviou notificações extrajudiciais e apresentou uma reclamação pré-processual à Justiça de Brasília.

Valores e documentos citados

De acordo com Santini, o investimento inicial na loja foi de R$ 1 milhão. Ele afirma ter colocado R$ 450 mil, enquanto Flávio teria contribuído com R$ 200 mil em dinheiro e Fernanda Bolsonaro teria transferido R$ 350 mil por meio bancário.

O ex-sócio também sustenta que, embora os dois tivessem participação igualitária, Flávio recebeu R$ 1,7 milhão em lucros, incluindo R$ 700 mil pagos em dinheiro vivo. Santini diz ter recebido R$ 644 mil.

Após o fim da parceria, o empresário passou a conservar registros produzidos durante a convivência com o senador. Entre os materiais mencionados estão documentos sobre despesas pessoais pagas por terceiros, operações imobiliárias com dinheiro em espécie, conversas com Fabrício Queiroz sobre pedidos de auxílio financeiro e imagens de relógios de luxo atribuídos a Flávio.

Santini também afirma possuir fotografias de mulheres, mensagens sobre a organização de encontros privados e registros de festas. A pessoas próximas, declarou: “Se eu quiser, eu ponho o Flávio na cadeia”.

Flávio rejeitou as acusações. Em 2023, ao comentar mensagens enviadas pelo ex-parceiro, chamou os recados de “esquisitos”, disse que Santini já havia pedido dinheiro e classificou as acusações como “infundadas”.

Texto produzido pela Redação Giro da Torcida com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.