RIO DE JANEIRO — A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), da Polícia Civil do Rio de Janeiro, abriu uma investigação sobre a abordagem ao ator João Victor Gonçalves na saída do Rock in Rio. O caso é tratado como homofobia pela corporação e ocorreu na madrugada deste sábado (5), no Rio de Janeiro.
João Victor, que interpreta Mau Mau na novela "Quem Ama Cuida", foi abordado por um streamer enquanto deixava o evento. A situação foi transmitida ao vivo em uma plataforma de streaming. Nas imagens, GH Rell RJ aparece acompanhado de amigos, comenta a roupa do ator e o segue por alguns segundos.
O vídeo foi recortado da transmissão e compartilhado nas redes sociais. A repercussão levou João Victor a se manifestar emocionado. Ele afirmou que o episódio não pode ser tratado como entretenimento e relacionou o ocorrido à trajetória de Mau Mau, personagem que passa pela descoberta da própria sexualidade e enfrenta homofobia dentro de casa, especialmente na relação com o avô Otoniel, vivido por Tony Ramos.
“Homofobia não é entretenimento”, afirmou o ator. João Victor também disse que, durante a abordagem, tinha mais medo de ser roubado do que percepção sobre os comentários feitos pelo grupo.
GH Rell RJ se desculpou depois da repercussão. O streamer declarou que costuma fazer transmissões nas ruas, abordando pessoas e criando situações que considera inusitadas para o público. Ele disse que o trecho foi compartilhado nas redes sociais e afirmou ter pedido desculpas caso tivesse errado. Depois do episódio, o influenciador desativou as redes sociais.
Pedro Alves, que interpreta Fernando na novela, publicou uma mensagem de apoio a João Victor. O ator criticou a abordagem e afirmou que aquilo não era uma brincadeira.
Também neste sábado (5), a deputada federal Erika Hilton acionou o Ministério Público do Rio de Janeiro. Ela pediu investigação contra os streamers envolvidos e contra a plataforma KICK, além de defender responsabilização e multa. Erika ainda cobrou melhorias da organização do Rock in Rio e da Prefeitura do Rio na segurança das áreas de acesso e saída do evento.
Na manifestação, a deputada afirmou: “Gravar uma pessoa na rua, sem mais nem menos, submetê-la ao deboche e ofensas de teor homofóbico e transmitir tudo isso ao vivo não é entretenimento”. Erika também pediu que eventuais valores sejam destinados a políticas públicas de proteção a pessoas LGBTQIA+ e de combate aos crimes de ódio.



