RIO DE JANEIRO — Um sobrado na Rua Doutor Alfredo Barcelos, em Olaria, na Zona Norte do Rio, abriga um acervo com mais de 50 mil itens ligados à música brasileira. A coleção de Tadeu Kebian, de 29 anos, reúne discos, partituras, revistas, fotografias, roupas, troféus e documentos de artistas que marcaram a Era de Ouro do Rádio, entre os anos de 1930 e 1950.
A relação de Tadeu com esse universo começou na infância, influenciada pelo avô, um contador aposentado que ouvia música em casa. O avô tinha cerca de 50 discos, mas não era colecionador. O rapaz iniciou a própria coleção com três discos recebidos do pai e, atualmente, o acervo passa dos 30 mil itens em diferentes formatos.
Entre os nomes que despertaram o interesse de Tadeu estão Carmen Miranda, Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Marlene, Emilinha Borba, Cauby Peixoto, Orlando Silva, Francisco Alves e Nelson Gonçalves. Com o tempo, ele passou a buscar também exemplares da Revista do Rádio, Radiolândia e outros objetos relacionados aos artistas.
Encontros e doações
A coleção ganhou impulso depois que Tadeu participou, em 2015, do documentário “Cauby Peixoto - Começaria tudo outra vez”, dirigido por Nelson Hoineff. O contato com a produção permitiu que ele conhecesse artistas admirados e recebesse peças de acervos pessoais.
Em 2022, a cantora Luciene Franco doou a Tadeu um violão Del Vecchio que havia pertencido a Alexandre Franco, pai da artista. Ela também entregou uma carta manuscrita na qual o escolheu como guardião do instrumento, que teria sido tocado por Luiz Bonfá e Baden Powell. Luciene Franco morreu dois anos depois.
O acervo inclui ainda um retrato de Leny Eversong, um troféu doado por Eliana Pittman e um vestido usado por Edith Veiga, desenhado pelo estilista Clodovil Hernandez. O retrato mede 1,90m de altura por 1m de largura e foi comprado de outro colecionador no interior de São Paulo.
Em um leilão realizado pelo Retiro dos Artistas com peças de Jô Soares, Tadeu arrematou cinco itens de vestuário. Ele também comprou um troféu em formato de pequeno violão que teria pertencido a Caetano Veloso.
Preservação do acervo
Um dos itens de maior custo é uma cópia do primeiro disco de Roberto Carlos, “Louco por você”. Lançado no começo dos anos 1960 e retirado de circulação pelo cantor, o vinil é negociado na internet por cerca de R$ 7 mil.
Tadeu é comerciante e sócio do pai em um bar instalado no térreo do sobrado onde mora. Ele ainda não definiu o destino da coleção, mas abre as portas da casa para pesquisadores e interessados. “Não tem nexo guardar por guardar”, afirmou. Para ele, os objetos devem ser compartilhados com quem deseja conhecer a história dos artistas.



