RIO DE JANEIRO — A Polícia Civil encerrou a investigação sobre a creche e hospedagem para cães Pituchos da Lu e indiciou os proprietários por maus-tratos a animais. O estabelecimento fica na Rua Doutor Sousa Lopes, em Botafogo, na Zona Sul do Rio.
A delegada Natália Caliman, da 10ª DP (Botafogo), informou que o casal foi convocado duas vezes para prestar depoimento, mas não compareceu. Com as ausências, a polícia concluiu o procedimento e formalizou o indiciamento.
Denúncias e materiais entregues à polícia
As apurações começaram depois que o ex-funcionário Genesis Sousa Cardoso Martins apresentou vídeos, áudios, mensagens e prints de conversas mantidas com os proprietários. Tutores de animais também relataram situações envolvendo cães que teriam sido devolvidos com ferimentos.
Martins afirmou que os animais considerados agitados eram mantidos presos e que funcionários recebiam orientação para agredi-los. De acordo com Natália Caliman, os materiais reunidos incluem relatos de cães acorrentados em um espaço confinado por latirem muito, além de depoimentos de ex-funcionários que disseram ter presenciado agressões.
“Foram juntados no procedimento vídeos relatando situações de maus-tratos”, afirmou a delegada.
Entre as mensagens entregues está uma conversa em que Martins pede ajuda para lidar com um cão que chorava. Um dos proprietários respondeu: “O cachorro vai morrer do coração. Se morrer, morreu. Não tenho como sair da reunião”.
Posicionamento da empresa
A Pituchos da Lu confirmou a autenticidade da mensagem, mas declarou que o trecho foi retirado de uma conversa mais longa e escrito pelo proprietário em um momento de estresse. A empresa afirmou que o cachorro estava agitado e latindo persistentemente, já havia sido levado para fora e que uma pessoa retornaria para tentar acalmá-lo.
A creche negou maus-tratos e disse que não instrui, autoriza ou tolera agressões físicas contra animais. Também contestou os vídeos, alegando que eles têm cortes e não mostram toda a sequência dos acontecimentos. A empresa informou que sua defesa preparava uma análise técnica do material e pretendia colaborar com a investigação.




