O atleta olímpico brasileiro de taekwondo Ícaro Miguel foi suspenso por um ano por violação das regras antidopagem, mesmo sem ter usado substâncias proibidas, segundo comunicado divulgado pelo lutador. A punição o afasta de competições e atividades esportivas oficiais entre 1º de setembro de 2026 e 31 de agosto de 2027.
A decisão da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) foi tomada após o atleta acumular três falhas de localização em um período de 12 meses. Em duas ocasiões, exames antidoping não foram realizados porque Ícaro informou um endereço onde não estava. Depois, ele não teria atualizado corretamente as autoridades sobre sua agenda.
O nome do lutador apareceu na lista mais recente de suspensos divulgada pela ABCD nesta semana, que reúne mais de 70 casos. Ainda cabe recurso da decisão.
Alegação de falha técnica
Ícaro Miguel afirmou que o processo não está relacionado ao uso de substâncias proibidas nem a uma tentativa de melhorar o desempenho esportivo. O atleta disse que enviou duas vezes as informações de localização dentro do prazo previsto, mas os dados não foram registrados pelo sistema ADAMs, usado no controle de paradeiro dos competidores.
Na avaliação do lutador, o problema técnico impediu o cumprimento correto das obrigações previstas nas regras antidopagem. Ele também relatou que as falhas aconteceram durante um período marcado por duas tragédias pessoais, que afetaram sua rotina familiar e emocional.
Aos 31 anos, Ícaro foi vice-campeão mundial em 2019 e chegou a liderar o ranking mundial. O mineiro representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, terminando na 11ª colocação. Também conquistou a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Lima, em 2019, e o bicampeonato pan-americano em 2021 e 2022.
Fora das competições, criou em 2021 o Instituto Ícaro Miguel, em Juatuba, Minas Gerais, cidade onde cresceu. O projeto oferece atividades de esporte e educação para crianças, jovens e adolescentes, com foco em desenvolvimento e inclusão social.



