Palmeiras, Atlético-MG e Vasco seguem na disputa de três competições na temporada de 2026 e podem terminar o ano com uma carga elevada de partidas. Com jogos a cada três ou quatro dias após a Super Data Fifa, a recuperação dos jogadores ganhou peso na preparação das equipes.
O Palmeiras lidera o número de compromissos entre os três clubes, com 56 partidas. Caso avance às finais da Copa do Brasil e da Libertadores, pode chegar a 73. Se conquistar a América e disputar a Copa Intercontinental, o total pode alcançar 76 jogos.
Vasco e Atlético-MG têm 54 partidas cada. Os dois ainda possuem um jogo atrasado pelo Brasileirão e estão nas mesmas condições na Copa do Brasil e na Sul-Americana. Se chegarem às finais das duas competições, podem fechar a temporada com 72 jogos.
Recuperação como parte da preparação
Matheus Cioccari, gestor de performance que trabalha de forma particular com jogadores do Brasileirão, explica que o desgaste varia conforme o tipo de partida, o adversário e o momento da temporada. Para ele, a fadiga é resultado de uma sequência de fatores acumulados durante a semana.
“Se é uma partida de copa, se é uma partida de Campeonato Brasileiro, se é contra um time que está lá em cima, se é um clássico...”, afirmou Cioccari ao listar situações que influenciam o desgaste. O profissional também destacou que, para equipes envolvidas em três torneios, cada compromisso pode ter peso decisivo.
O Palmeiras inaugurou, ainda em junho, o Centro de Recovery e Neurociência. O espaço complementa o trabalho do Núcleo de Saúde e Performance e oferece serviços como massoterapia, exercícios de eletroestimulação transcraniana, pilates e botas compressivas.
Daniel Gonçalves, coordenador de saúde e performance do clube, afirmou que a área também é usada para ativações mental, neural e neuromuscular. Entre os recursos estão óculos inteligentes voltados à tomada de decisões e ao foco dos atletas.
No Atlético-MG, um levantamento divulgado pelo clube indicou queda de 42% na média de lesões por temporada entre 2018 e 2025. Rodrigo Lasmar, diretor-médico que atua na equipe desde 1999 e médico da seleção brasileira, relacionou a evolução ao aumento da estrutura e da especialização dos profissionais.
Sono, tecnologia e análise individual
Cioccari considera o sono a base da recuperação, mas ressalva que a rotina do futebol dificulta uma noite de oito horas. Em partidas iniciadas às 22h, o jogador pode terminar à meia-noite e dormir apenas às 4h. Viagens também podem fazer a chegada à cidade acontecer às 4h ou 5h.
O aumento da intensidade do futebol aparece em um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine. A pesquisa analisou 3.750 partidas disputadas ao longo de 10 temporadas da Premier League, entre 2015/16 e 2024/25.
No período, a distância percorrida em alta intensidade cresceu 27%, as corridas em alta velocidade aumentaram 23% e a distância em sprints subiu 40%. O trabalho reuniu representantes de Arsenal, Liverpool e da própria Premier League.
Uma das conclusões foi a necessidade de dar mais atenção a atividades neuromusculares e psicológicas, além do acompanhamento de lesões, enfermidades, bem-estar e respostas individuais à carga de trabalho.
Para Cioccari, a tecnologia deve ser usada como aliada, mas não substitui a conversa com o atleta nem a interpretação adequada dos dados. O profissional também destaca que fatores sociais podem interferir no rendimento e exigir um trabalho de recuperação ajustado a cada jogador.



