A fama não desapareceu, mas o sistema que ajudava a sustentar subcelebridades mudou. Essa é a avaliação do assessor de imprensa Cacau Oliver, do professor Thiago Soares, da Universidade Federal de Pernambuco, e de Andressa Urach, que analisaram a transformação do fenômeno popular nas últimas décadas.
Nos anos 2000 e 2010, nomes como Ângela Bismarchi, Andressa Urach, Geisy Arruda e Nicole Bahls ocupavam espaços deixados de lado por estrelas do primeiro escalão. A exposição vinha de aparições públicas, barracos, acontecimentos controversos e estratégias para prolongar a presença na mídia.
O termo subcelebridade passou a identificar não apenas um nível de fama, mas também um comportamento associado a pessoas que buscavam reconhecimento sem necessariamente ter uma profissão definida antes de chegar à mídia. Mulher Filé resumiu essa lógica durante A Fazenda 6, em 2013, ao relacionar a condição à liberdade para provocar e chamar atenção.
A fama ficou mais rápida
Para Cacau Oliver, as redes sociais reduziram o tempo de permanência de uma personalidade em evidência. No passado, o Carnaval e outras ferramentas ajudavam a manter um nome em circulação. Hoje, a repercussão pode desaparecer no mesmo dia. Na avaliação dele, os antigos 15 minutos de fama foram reduzidos a cinco.
Thiago Soares afirma que as redes e o crescimento dos influenciadores pulverizaram o controle sobre quem pode ser considerado famoso. Há pessoas desconhecidas do público geral, mas com 7 milhões de seguidores e impacto dentro de seus próprios grupos.
Andressa Urach considera que as plataformas digitais democratizaram a fama, mas também aumentaram a responsabilidade de quem se expõe. Uma declaração pode ser interpretada de outra forma, ter um trecho retirado do contexto e provocar novas reações.
A expansão das páginas de fofoca no Instagram também alterou o trabalho dos assessores. Oliver afirma que algumas pessoas deixaram de contratar profissionais e passaram a pagar para aparecer em perfis conhecidos. Ele defende que a divulgação seja orgânica e que o assessor encontre, na trajetória do cliente, uma história capaz de despertar interesse.
Conteúdo adulto e novas plataformas
O professor Thiago Soares aponta que a migração para plataformas como Privacy e OnlyFans criou caminhos independentes da mídia tradicional. Nesses ambientes, as personalidades constroem reputação diretamente com seus públicos e podem produzir conteúdo adulto.
Esse movimento também alcançou nomes conhecidos de outras fases da televisão e da mídia, como Luiza Ambiel, Rita Cadillac e Andressa Urach. Para Soares, as chamadas mulheres-frutas contemporâneas podem obter mais dinheiro do que as primeiras representantes do grupo ao atuar em diferentes ambientes digitais.
Cacau Oliver relaciona o enfraquecimento do modelo antigo ao avanço das agendas feministas e à crítica à sexualização das mulheres. Ele cita movimentos como o #MeToo e ações contra esse tipo de representação como fatores que tornaram o ambiente mais conservador.
Cancelamento virou parte da estratégia
O cancelamento, impulsionado por reações de fã-clubes de realities, pode provocar perda de dinheiro e seguidores. Soares, porém, afirma que a repercussão negativa também pode ser usada como estratégia, especialmente quando o mercado observa a métrica alcançada pelo episódio.
Andressa Urach diz que deixou de viver em função da aprovação do público depois de enfrentar cancelamentos ligados a brigas em realities e a um vídeo falso envolvendo seu filho mais velho. Para ela, é necessário ter responsabilidade, mas não é possível tentar agradar a todos.
Oliver afirma que hoje também orienta clientes a conter danos e evitar repercussões negativas. Ele conta que chegou a desestimular uma assessorada a divulgar uma alegação sobre um relacionamento com Lewis Hamilton, avaliando os possíveis efeitos da exposição.
Uma nova Andressa Urach?
Cacau Oliver acredita que existem muitas pessoas dispostas a aparecer e com histórias para oferecer à mídia, mas lamenta que o jornalismo dê menos espaço a elas. Andressa, por outro lado, não acredita no surgimento de uma nova versão de si mesma.
A gaúcha afirma que sua trajetória reúne fases específicas, como o trabalho de modelo, a participação no Miss Bumbum, a passagem pela televisão e a publicação de um livro. Para ela, outra pessoa pode alcançar mais sucesso, mas não repetirá a mesma história.



