APARECIDA DE GOIÂNIA — Em 2015, Thiago César de Souza, conhecido como Thiago Topete, planejou construir 112 quitinetes dentro da Penitenciária Odenir Guimarães. Preso em Goiás, ele teria identificado uma oportunidade de negócio nas dificuldades enfrentadas por detentos durante as visitas íntimas.
Na época, os presos recebiam suas companheiras em barracas improvisadas com cobertores. A proposta de Topete era substituir essa estrutura por unidades construídas dentro do complexo penitenciário. O uso de cada quitinete seria cobrado, e os cálculos do projeto apontavam para um lucro de R$ 120 mil por mês.
Obra dentro da penitenciária
A construção avançou rapidamente. Em menos de 20 dias, o empreendimento estava praticamente pronto. O custo total não chegou a R$ 200 mil: R$ 120 mil foram destinados à compra de materiais, enquanto outros R$ 70 mil teriam sido pagos diretamente ao diretor do presídio.
De acordo com o caso, o diretor teria participado da execução do projeto ao comprar os materiais, coordenar a obra e manter a operação em sigilo. A estrutura foi feita para atender aos chamados momentos de lazer dos detentos com suas companheiras.
A Superintendência de Administração Penitenciária tomou conhecimento da construção e determinou a demolição das quitinetes. O projeto, que previa transformar uma necessidade dos presos em fonte de renda, acabou desfeito dentro da própria unidade.
Investigação
O episódio passou a integrar, posteriormente, a Operação Livramento, investigação que expôs um esquema maior de corrupção relacionado à obra. O caso voltou a circular nas redes sociais, embora tenha ocorrido em 2015.
A iniciativa atribuída a Thiago Topete terminou antes de começar a funcionar como planejado: as unidades foram demolidas, e a construção passou a ser ligada à investigação sobre pagamentos e participação de integrantes da administração penitenciária.



