FORTALEZA — João Munhoz Neto, namorado de Isabelle Caracristi, foi indiciado nesta terça-feira (06) pela Polícia Civil do Ceará por violência psicológica e obstrução da Justiça. O homem de 34 anos havia sido preso no dia 22 de setembro e deixou a prisão em 1º de outubro, sob medidas cautelares.
A investigação aponta que João procurou o celular de Isabelle em lixeiras do prédio onde ela vivia, com ajuda do porteiro. Ele também teria afirmado que a família da jovem não poderia entrar no condomínio após a morte dela. Testemunhas relataram que o homem tinha comportamento controlador e tentava mantê-la isolada.
Isabelle morreu aos 22 anos, no dia 13 de setembro. A perícia concluiu que ela se jogou do topo do prédio em Fortaleza onde morava com João, o irmão e a mãe dele.
Declarações de João
Depois de deixar a prisão, João falou pela primeira vez sobre o caso à RecordTV. Ele negou ter responsabilidade pela morte de Isabelle e também rejeitou acusações de ameaça ou abuso. “Não tive nenhum tipo de responsabilidade”, declarou.
João disse que recebeu uma mensagem de Isabelle às 19:16, cerca de uma hora antes da morte. Segundo ele, ela escreveu que não estava aguentando e sentia algo estranho. O namorado afirmou que respondeu dizendo que tudo daria certo e que estava quase chegando.
Sobre o dinheiro envolvido na relação, João afirmou que havia cobrado Isabelle por uma dívida de 13.500 reais. Ele disse que inicialmente acreditava que ela tivesse pegado 2 mil reais emprestados da mãe dele, mas depois descobriu que o valor estaria perto de 8 mil reais. João negou que tivesse pressionado a jovem.
Ele também contou que Isabelle conversava com investidores e dizia aplicar dinheiro em velas. Conforme o relato, ela afirmava que, quando a vela tivesse bom desempenho, o retorno poderia ocorrer em 30 segundos, com compensações de 300 reais ou mil reais.
João negou ainda ter bloqueado a mãe de Isabelle nas redes sociais. Sobre o contato após a morte, afirmou que pediu ao irmão para ligar para ela porque não tinha condições psicológicas de dar a notícia. Segundo João, a mãe atendeu depois de quatro tentativas, falou por 22 segundos, desligou e o bloqueou.
Relato da ex-esposa
Giovana, ex-esposa de João, estava com ele no dia 13. Embora os dois ainda fossem casados oficialmente, ela disse que estavam separados havia alguns meses. Em entrevista ao programa “A Pauta É!”, contou que João a procurou para conversar sobre a separação e um processo judicial trabalhista.
Giovana relatou que estava com João quando ele soube que alguém havia morrido no prédio. Sem saber inicialmente que se tratava de Isabelle, ele teria ficado nervoso. Ela disse que o orientou a ir para a rodoviária enquanto o irmão dele não chegava.
Depois de descobrir a identidade da vítima, João teria enviado um áudio para Giovana chorando e abalado. Questionada sobre possíveis abusos no relacionamento, ela afirmou que havia discordâncias entre o casal e que o desgaste do casamento não poderia ser atribuído somente a um dos dois.



