RIO DE JANEIRO — A Fundação Cacique Cobra Coral não está atuando para impedir a chuva no Rock in Rio. A entidade informou que concentra seus esforços no abastecimento dos reservatórios do Sudeste, enquanto fãs seguem pedindo uma intervenção durante o festival, cuja programação pode ter chuva no dia 7 de setembro.
O porta-voz da fundação, Osmar Santos, afirmou que a entidade recebeu mais de 2 mil e-mails nesta semana de pessoas que pretendem viajar ao Rio para o evento. Segundo ele, a organização mantém uma operação especial em São Paulo para encher o Sistema Cantareira, que está com menos de 40% de água.
A fundação diz que seus acordos com governos são gratuitos, mas dependem de compromissos ambientais das administrações públicas. Também existem contratos com instituições privadas, porém as negociações seguem outro modelo. Em uma publicação no perfil oficial, a entidade declarou: “a Fundação Cacique Cobra Coral é para emergências climáticas, não para o dia a dia”.
Acordo com o Rio
Em agosto, a Prefeitura do Rio fechou um acordo com a fundação para reduzir os danos provocados por vendavais. O compromisso foi publicado no Diário Oficial do Município e, conforme Osmar Santos, tem como objetivo evitar inundações na cidade do Rio de Janeiro.
O porta-voz afirmou que as chuvas atuais são necessárias para os reservatórios e que a falta de precipitação poderia aumentar os problemas durante o verão. Ele também citou a relação entre as condições de São Paulo e os efeitos observados no Rio de Janeiro.
Histórico com o festival
A relação entre a Fundação Cacique Cobra Coral e o Rock in Rio começou em 2001. Roberto Medina, fundador do evento, contratou a entidade para evitar a repetição da lama registrada na primeira edição, em 1985. Na ocasião, o acordo previa 10 mil dólares, com parte do pagamento condicionada à ausência de chuva.
A parceria continuou em anos seguintes e também alcançou edições internacionais, em Las Vegas, nos Estados Unidos, e em Lisboa, em Portugal. Em 2011, a fundação atribuiu a chuva a um problema logístico: a equipe não conseguiu entrar na Cidade do Rock porque o carro utilizado não estava credenciado.
O contrato não foi renovado para as edições de 2017, 2019, 2022 e 2024. Todas registraram chuva. Em 2015, Roberta Medina, então vice-presidente do festival, havia dito que a contratação era mantida desde 2001 porque a parceria tinha funcionado.



