Uma funcionária passou meia hora reclamando de Renata sem perceber que a colega estava sentada ao lado dela. As duas trabalhavam na mesma empresa, mas em departamentos diferentes, e nunca tinham sido apresentadas pessoalmente.
A narradora conhecia Renata apenas pelas trocas de e-mail. Como a colega era responsável por aprovar algumas demandas de seu setor, documentos voltavam por falta de informação, planilhas precisavam ser refeitas e os prazos eram questionados. As mensagens curtas, muitas vezes terminadas com “aguardo retorno”, também contribuíram para a imagem negativa que ela criou.
Sem nunca ter visto Renata, a funcionária passou a imaginá-la como uma pessoa séria e mal-humorada, sempre procurando problemas em seus pedidos. A situação mudou durante um treinamento que reuniu profissionais de vários departamentos. Enquanto tomava café, ela começou a conversar com uma mulher simpática que se sentou ao seu lado.
Quando a nova conhecida perguntou em que área ela trabalhava, a funcionária mencionou o próprio departamento. Em seguida, perguntou se ela conhecia Renata. A resposta foi afirmativa, e isso bastou para que meses de irritação viessem à tona.
Ela reclamou dos e-mails, das solicitações devolvidas e da suposta implicância com detalhes. Também disse que Renata parecia gostar de encontrar problemas e que seria melhor nunca conhecê-la pessoalmente. A mulher ao lado riu, mas a funcionária entendeu aquilo como solidariedade e continuou contando a história.
Pouco depois, outra profissional se aproximou da mesa e chamou a mulher sentada de Renata. Foi então que a funcionária percebeu ter falado da própria colega para ela. Desconcertada, pediu desculpas e admitiu que havia exagerado.
Renata respondeu com bom humor e explicou que muitas devoluções não eram pessoais: faziam parte das exigências do processo, e um erro na aprovação poderia acabar sobrando para ela. As duas continuaram conversando, e a relação mudou depois daquele encontro.
Os e-mails continuaram chegando, assim como algumas demandas devolvidas e o conhecido “aguardo retorno”. A diferença é que, depois de conhecer Renata, a funcionária deixou de enxergar apenas um nome irritante na caixa de entrada e passou a reconhecer a pessoa por trás das mensagens.



