Crianças e adolescentes têm participado de desafios compartilhados no Instagram e no TikTok sem compreender os riscos envolvidos. Entre 2014 e 2025, pelo menos 56 pessoas de 7 a 18 anos morreram ou sofreram ferimentos graves ao participar de jogos ou desafios online, segundo dados do Instituto DimiCuida.
As trends podem criar sensação de pertencimento, mas também disseminar desinformação e comportamentos perigosos. Entre os exemplos estão os desafios do desodorante e do Squichy, além de práticas que envolvem falta de oxigênio, calor, fogo, objetos inadequados e consumo de medicamentos ou outras substâncias.
Inalação de produtos e falta de oxigênio
O chamado desafio do desodorante consiste em inalar intencionalmente vapores ou aerossóis de produtos domésticos. A Sociedade Brasileira de Pediatria relatou dois casos de crianças, de 8 e 11 anos, que morreram em 2025.
A inalação pode provocar intoxicação, alterações neurológicas, problemas respiratórios e parada cardiorrespiratória.
Também existem os desafios de asfixia, sufocamento ou apneia, que tentam provocar falta de oxigênio ou alteração da consciência. O choking game, conhecido em algumas variações como jogo do apagão, é um exemplo. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, os jogos de asfixia representam mais de 80% dos desafios perigosos.
A interrupção do fornecimento de oxigênio ao cérebro pode causar desmaio, lesão cerebral, convulsões, parada cardiorrespiratória ou morte.
Calor, fogo e ingestão de substâncias
Outro grupo reúne vídeos que incentivam experiências com calor, chama, objetos ou materiais que não foram feitos para esse tipo de manipulação. Entre os exemplos estão desafios com squishies para produzir um efeito visual e publicar o resultado.
Essas práticas podem causar queimaduras, cortes, intoxicações, explosões e outros acidentes. A Sociedade Brasileira de Pediatria relata que pediatras têm encontrado crianças e adolescentes com lesões de pele e queimaduras associadas a desafios perigosos.
Há ainda trends que estimulam a ingestão de medicamentos ou substâncias sem indicação médica, como as chamadas “pílulas mágicas” com pó de composição desconhecida. A intoxicação pode provocar vômitos, sonolência, convulsões, alteração de consciência e risco de morte.
A orientação é conversar com os filhos sobre os perigos das trends, explicar que nem tudo o que aparece em um vídeo é real ou deve ser imitado e ensinar as crianças a questionar e raciocinar sobre o que veem.



