SÃO PAULO — A atriz e escritora Ana Jeckel, de 25 anos, foi a segunda autora mais vendida da Feira do Livro de São Paulo. Ela ficou atrás apenas de Clarice Lispector (1920-1977). Com seis livros publicados, Ana também está entre os nomes mais vendidos de uma importante plataforma online.
A autora contou que acompanha os resultados de pré-vendas e dos primeiros eventos literários com surpresa e ansiedade. A expectativa, segundo ela, está ligada à reação do público aos personagens e às histórias. “Sinto uma ansiedade de ficar pensando o que o público vai achar dos meus novos personagens e da história”, afirmou Ana.
Escrita com estrutura audiovisual
Ana também participou da Bienal do Livro de São Paulo, onde teve contato direto com leitores pela primeira vez como autora publicada por uma grande editora. Durante o evento, seus livros estiveram em dois estandes, além de mesas e painéis que reuniram centenas de leitores interessados em seu trabalho.
A dinâmica de criação é uma das marcas da escritora. Ela organiza os capítulos como cenas de episódios de séries, com diálogos fluidos e atuais. A estratégia, na avaliação da autora, dá às obras um ritmo mais leve e aproxima os livros do público jovem.
Em Kiwi e os Garotos Perdidos e na saga Nadia Keane, Ana aborda sentimentos ligados à pré-adolescência, como o luto e a passagem para a vida adulta. Para ela, as emoções vividas aos 13 ou 14 anos não devem ser tratadas pelos adultos como problemas menores.
A relação com o mar também aparece em suas histórias. Na adolescência, Ana sonhava em cursar Oceanografia e sempre teve fascínio pelo oceano, pelos navios e pelos mistérios marítimos. A escritora encontrou nos livros uma forma de manter essa conexão com o tema.
A experiência como atriz influencia diretamente a construção dos personagens. Ana participou de séries como Tudo Igual… SQN (2022-2024) e Juacas (2017-2019), da Disney. Ao escrever, ela imagina os personagens como atores em um palco ou em um set, trabalhando falas, ações e improvisos para tornar as cenas mais naturais.
O próximo objetivo é levar suas histórias para as telas e alcançar leitores de outros países. Ana também deseja ver os livros traduzidos para diversos idiomas. “São histórias feitas para ganharem vida e são escritas para isso”, declarou.



