A aproximação entre o Sub-20 e o elenco profissional é um dos pilares do trabalho de William Batista no Corinthians. No CT Dr. Joaquim Grava, a convivência com o Centro de Excelência em Formação de Atletas do Corinthians (CEFAC) permite a troca diária de informações sobre os jogadores que podem subir ao time principal.
Para o técnico, esse contato constante ainda não é comum no futebol brasileiro. As comissões acompanham os treinamentos umas das outras e conversam sobre o desempenho dos jovens. A avaliação também envolve Ricardo Drubscky, coordenador técnico da base masculina, Erasmo Damiani, executivo da base masculina, e o departamento profissional.
“Essa conexão não é unilateral. Ela acontece no dia a dia”, afirmou William Batista.
O clube adotou protocolos para reduzir o peso da subjetividade nas decisões. Relatórios são compartilhados e diferentes profissionais participam das análises, evitando que uma atuação isolada, uma vitória ou uma derrota determine o futuro de um atleta. A intenção é identificar com mais precisão quem está preparado quando surgir uma oportunidade na equipe principal.
Relação com Fernando Diniz
A integração também aproximou William Batista de Fernando Diniz. Os dois já tinham uma relação profissional anterior ao trabalho no Corinthians. Em 2016, quando estava no Atibaia, Batista acompanhou por três dias os treinamentos do Audax comandado por Diniz, em Barueri. Naquele período, o técnico do Sub-20 tinha 22 ou 23 anos e trabalhava com a equipe Sub-17 do Atibaia.
Batista contou que o Audax era uma referência para sua maneira de pensar o jogo. Anos depois, os profissionais passaram a trabalhar no mesmo clube. Após a eliminação do Corinthians para o Palmeiras nas quartas de final do Campeonato Brasileiro Sub-20, Diniz ligou para saber como o treinador estava, e não apenas para conversar sobre a derrota.
“Tenho muita gratidão e admiração por ele”, disse Batista sobre Diniz.
Para o comandante do Sub-20, a proximidade entre as comissões e as diretorias melhora o fluxo de informações dentro do clube. A troca permite que os jogadores sejam acompanhados por diferentes áreas antes de uma possível promoção ao elenco principal.
Reformulação e desempenho
A reformulação da categoria ocorreu depois de um período com um grupo numeroso. No início de 2026, 29 jogadores foram liberados para procurar novos clubes, conforme lista divulgada pelo Corinthians. Ao longo da temporada, o elenco passou de 61 para 32 atletas e chegou a 23 jogadores.
William Batista reconheceu que o processo gerou críticas nas redes sociais, mas afirmou que os desligamentos seguiram critérios técnicos. Na avaliação dele, o objetivo era elevar o nível do grupo e montar uma equipe compatível com a exigência do Corinthians. O treinador também declarou que não pretendia prejudicar os atletas que deixaram o clube.
Apesar da eliminação para o Guarani na segunda fase da Copa São Paulo de Futebol Júnior, o Sub-20 alcançou as quartas de final do Campeonato Brasileiro da categoria, a melhor campanha do Corinthians na competição desde 2023. A equipe também avançou ao mata-mata do Campeonato Paulista.
Batista soma 44 partidas no comando do Timãozinho, com 24 vitórias, nove empates e 11 derrotas. O aproveitamento é de 61%.
Formação interna
O treinador afirmou que a reconstrução não deve ser avaliada somente pelos resultados. Segundo Batista, havia também a missão de recuperar a credibilidade do Sub-20 diante dos torcedores e dos adversários.
A próxima etapa é estabelecer uma linha contínua de formação, com jogadores das categorias inferiores chegando ao Sub-20 e, depois, ao elenco principal. A expectativa é evitar novos cortes amplos para refazer o grupo e aproveitar atletas que estejam prontos para subir do Sub-17.
Batista foi anunciado pelo Corinthians em agosto de 2025, aos 33 anos. Antes de se tornar treinador, tentou seguir carreira como jogador em Portugal, onde defendeu o Rio Ave. No alojamento do clube, organizava torneios de Brasfoot entre os atletas e passou a desenvolver interesse pela montagem de elencos e pela gestão de equipes.
Depois de retornar ao Brasil, trabalhou nas categorias de base do Atibaia e fez corridas de aplicativo durante a madrugada para pagar a faculdade de Educação Física. A trajetória também teve passagens por Chapecoense, América, Vasco e Red Bull, antes da chegada ao Corinthians.




