A empresa comandada pelo perito Anísio Costa Castelo Branco mantém, desde janeiro, um contrato de R$ 728,5 mil com o Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar (IPSSC). O instituto aplicou R$ 87 milhões em títulos emitidos pelo Banco Master, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A contratação inclui uma perícia investigativa defensiva sobre os investimentos. Anísio também foi escolhido para analisar as contas de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro (PL) financiado com recursos relacionados a Vorcaro.
Contrato e atuação em Cajamar
Firmado em janeiro de 2026 por inexigibilidade de licitação, o acordo prevê R$ 692,7 mil pelo serviço diretamente relacionado aos desdobramentos das aplicações no Banco Master. O trabalho é realizado pelo IPI – Instituto de Perícia Investigativa, comandado por Anísio.
A equipe examina demonstrações contábeis do banco, acompanha procedimentos administrativos no Banco Central e analisa documentos produzidos pela KPMG e pela Fitch Ratings. A perícia também envolve a atuação do Banco Central, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Ministério da Previdência.
O IPI presta assistência técnica aos advogados do IPSSC em ações e procedimentos abertos depois dos investimentos. De acordo com Anísio, o trabalho pode gerar laudos, pareceres e notas técnicas para embasar medidas de recuperação dos recursos, pedidos de indenização e eventual responsabilização de agentes envolvidos. A análise ainda está em andamento e não definiu responsabilidades.
Em 7 de maio, o IPSSC indicou Anísio como assistente técnico na ação judicial sobre os R$ 87 milhões aplicados no banco. Pouco mais de um mês depois, em 11 de junho, ele assinou a perícia sobre as contas do filme.
Aplicações do instituto
O Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo informou que o IPSSC comprou Letras Financeiras do Banco Master em três momentos: R$ 35 milhões em outubro de 2023, R$ 25 milhões em dezembro daquele ano e R$ 27 milhões em março de 2024.
O total correspondia a mais de 15% da carteira do regime próprio de previdência de Cajamar. O órgão apresentou representação ao Tribunal de Contas do Estado para questionar as aplicações e a exposição dos recursos previdenciários ao banco.
Em outro levantamento, o MPC-SP identificou R$ 238,15 milhões investidos por fundos previdenciários municipais paulistas em ativos ligados ao Master. Cajamar tinha um dos maiores volumes, atrás de São Roque, com R$ 93,15 milhões.
Uma ação popular questiona as três operações do IPSSC. Estão entre os réus o instituto, o Banco Master, Daniel Vorcaro, ex-dirigentes da previdência municipal, uma consultoria e Danilo Joan, então prefeito de Cajamar.
Em abril, a Justiça determinou perícia contábil e atuarial para verificar a situação financeira do banco no período dos aportes, as análises de risco, os responsáveis pelas decisões e possível impacto sobre o patrimônio previdenciário.
Análise de Dark Horse
A perícia sobre Dark Horse foi contratada pelo escritório HSLaw, de Ricardo Hasson Sayeg. O financiamento da produção é alvo de investigações relacionadas a Daniel Vorcaro, incluindo apuração sobre o caminho percorrido pelo dinheiro usado no projeto e sua ligação com estruturas associadas ao banqueiro.
Anísio afirmou que o escritório sabia de sua atuação no caso do Banco Master em Cajamar. O perito também disse que as duas contratações passaram pelo setor de compliance do IPI, que não identificou conflito de interesses entre os trabalhos.



