O Ministério Público Federal rejeitou, nesta semana, o arquivamento de uma investigação relacionada à Operação Coffee Break, que levou a Polícia Federal a cumprir mandados contra Carla Ariane Trindade, ex-nora de Luiz Inácio Lula da Silva. Ela é investigada por suspeitas de lobby no governo.
Embora tenha havido uma sugestão inicial para encerrar o procedimento na esfera cível, o MPF decidiu manter o caso ativo. O órgão considera necessário acompanhar o andamento das apurações criminais e usar as provas reunidas pela Polícia Federal antes de definir possíveis medidas por improbidade administrativa.
A investigação envolve um suposto esquema de desvio de verbas públicas relacionado à venda de kits de robótica em municípios de São Paulo. Entre os alvos estão o empresário André Gonçalves Mariano, dono da Life Tecnologia Educacional, e Kalil, um dos irmãos Bittar associados a relações de amizade e negócios com a família Lula da Silva por meio de Fábio Luís, filho do presidente.
Apurações sobre vazamento
A Operação Coffee Break passou por diferentes fases. Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça indicou que a ação da Polícia Federal contra os investigados teria sido vazada em Brasília antes do cumprimento das medidas.
De acordo com o inquérito, investigadores trocaram mensagens intensamente às vésperas da operação. As conversas teriam incluído pedidos para apagar conteúdos sensíveis dos celulares e alertas que permitiram a fuga de um investigado que seria preso caso não tivesse sido avisado.
O documento do STJ afirma: “Tais fatos são robustecidos pela circunstância de que Marin (ex-secretário de uma das prefeituras citadas no esquema) não foi localizado nos endereços previamente identificados”.
O material reunido pela Polícia Federal permanece sob sigilo. O procedimento cível continuará em andamento até a conclusão das perícias e das denúncias penais, para que os envolvidos possam ser responsabilizados conforme os desdobramentos do caso. A investigação criminal também pode avançar com candidatos a delator.



