CATANDUVA — O Ministério Público de São Paulo afirma que Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, planejavam instalar em Catanduva a sede do Grupo Itajobi. Os dois são acusados de organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
A denúncia apresentada à Justiça paulista aponta que a cidade, na região de São José do Rio Preto, seria transformada em centro gerencial e operacional para a expansão das atividades do grupo no setor sucroalcooleiro. Em 2023, foram adquiridos dois imóveis na cidade por quase 4 milhões de reais.
Segundo o MP-SP, os terrenos seriam usados na construção de um amplo escritório para a sede do Grupo Itajobi. A obra teria sido gerenciada formalmente pela Conceb, construtora ligada a Ali Mohamad Mourad, parente de Primo. O órgão afirma que os imóveis foram comprados por empresas de fachada para ocultar as operações.
Expansão no setor sucroalcooleiro
A denúncia relaciona o projeto à tentativa de compra de ao menos duas usinas em Catanduva e de outra unidade em Pontal, na região metropolitana de Ribeirão Preto. Também havia a intenção de adquirir unidades em outros estados do Brasil.
O documento do MP-SP descreve o Grupo Itajobi como uma estrutura voltada ao reposicionamento e à expansão das atividades empresariais e criminosas do então Grupo Copape, liderado por Beto Louco e Primo. Para o Ministério Público, Catanduva foi escolhida como ponto central das novas iniciativas no setor de combustíveis.
Primo também teria comprado uma casa no condomínio de alto padrão Acapulco, em Catanduva, para ficar próximo da Usina Itajobi. A distância indicada na denúncia é de pelo menos 21,9 km, em um trajeto estimado em 23 minutos, a partir do residencial onde ele morava.
Em 2024, Mohamad Hussein Mourad foi flagrado embarcando em um voo no Aeroclube de Catanduva. Para chegar ao local, usou um carro da Usina Itajobi e, segundo as investigações, apresentou-se como João Mourad. O MP-SP afirma que o pseudônimo teria sido usado para ocultar sua identidade.
Defesas
As defesas dos citados negam a prática de ilícitos e afirmam acreditar na improcedência da ação por falta de provas nos autos.
A defesa de Roberto Lemos declarou que pretende demonstrar, durante o processo, a improcedência da denúncia e a nulidade do caso em tramitação na Justiça Estadual.
Já a defesa de Mohamad Hussein Mourad afirmou que a acusação se baseia em fatos não provados e em uma narrativa desconectada da realidade. Também questionou a ausência de uma indicação clara sobre o crime antecedente relacionado à lavagem de dinheiro e sobre a origem dos valores investigados.
A Operação Carbono Oculto é citada na denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo. O espaço para manifestação das defesas permanece aberto.



