Pelo menos 23 pessoas procuraram atendimento médico depois que lancetas foram compartilhadas durante uma feira de ciências no Colégio Tamandaré, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste. O episódio aconteceu no sábado e levou famílias ao Lourenço Jorge para testes e avaliação sobre a necessidade de medicação preventiva.
Atividade interrompida pela escola
A atividade apresentava equipamentos relacionados a glicose, insulina e diabetes. Uma estudante fazia perfurações nos dedos de outras crianças, sem a presença de um adulto, enquanto os participantes recebiam o resultado da medição. Uma das meninas informou ao pai que o teste havia dado 114.
O pai percebeu que algo estava errado ao notar a movimentação em torno da apresentação e observar que a mesma estrutura era usada em várias crianças. Ele retirou o filho mais novo da fila. A família deixou a escola por volta das 11h30 e recebeu um comunicado às 12h30, informando que uma agulha havia sido compartilhada.
De acordo com o pai, a família chegou ao Lourenço Jorge por volta das 15h30 e permaneceu no local até 22h30. A filha fez um teste rápido, recebeu medicação e deverá seguir o tratamento por 28 dias. O primeiro resultado foi negativo, mas novos exames foram indicados para 30 e 60 dias.
Orientação às famílias
A escola ofereceu acompanhamento psicológico online à estudante no dia seguinte e informou que pretende manter o suporte até o fim do tratamento. Também se colocou à disposição para ajudar nos exames, medida que ainda não havia sido concretizada. A família recebeu orientação para que a menina retomasse a rotina escolar.
O pai atribuiu o episódio à falta de supervisão durante a apresentação e afirmou que as lancetas não deveriam ter sido levadas para a feira. Segundo ele, o material poderia ter sido apenas demonstrado, sem a realização de testes em pessoas.
A escola informou que a feira era planejada desde o retorno às aulas, em agosto, e que os responsáveis pela estudante, de 12 a 13 anos, haviam sido orientados a exibir o aparelho sem fazer medições. Antonio Henrique, vice-diretor, afirmou que a mãe da aluna se baseou em uma recomendação do fabricante para testes individuais.
O colégio reconheceu que o material era de uso individual e disse que o compartilhamento motivou o alerta enviado às famílias. A instituição declarou que as medições começaram perto do fim do evento, sem autorização, e que nenhum professor, coordenador ou funcionário orientou ou acompanhou os procedimentos.
Segundo a escola, havia cerca de 3 mil pessoas no local, e o uso do instrumento não foi percebido imediatamente. Assim que a equipe identificou a situação, a atividade foi interrompida. O aparelho e a caixa de lancetas foram recolhidos, e a responsável pela estudante foi orientada sobre a gravidade do ocorrido.



