NITERÓI — O estado do Rio de Janeiro tinha 73,6 pessoas com 65 anos ou mais para cada grupo de 100 crianças de até 14 anos em 2022. O índice era de 42,2 em 2010, de acordo com o Censo 2022. Niterói registrou a maior proporção do estado, com 118,2 idosos para cada 100 crianças.
Na sequência aparecem Miguel Pereira (110,5), Itaocara (107,5), Cambuci (106,1) e Italva (106,1). Os números mostram o avanço do envelhecimento populacional fluminense e ajudam a dimensionar a mudança no perfil etário do estado.
Rotina e autonomia
Aos 87 anos, Vera Busse da Costa Monteiro mora sozinha, faz exercícios e mantém encontros com familiares e amigos. Depois de sofrer uma queda na rua, passou a contar com a companhia de uma amiga ou das filhas em alguns passeios, mas continua preservando a própria autonomia.
“Eu não penso na idade como uma limitação”, afirma Vera. Ela diz que mantém projetos e planos, embora reconheça a necessidade de cuidar mais da saúde com as mudanças do corpo.
Ricardo Lontra, de 69 anos, também mantém uma rotina de atividades. Aposentado desde os 62, ele faz pilates, pedala uma ou duas vezes por semana e caminha de cinco a sete quilômetros. Em Nova Friburgo, inclui a natação na programação quando o tempo esquenta.
O Brasil tem 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2026, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde. A projeção do órgão é que esse contingente chegue a 61,5 milhões nas próximas duas décadas.
Medidas contra o etarismo
A Lei 11.307/26, publicada em setembro, criou o Programa Estadual de Combate ao Etarismo. A iniciativa prevê ações contra o preconceito e a discriminação por idade. Municípios que aderirem deverão apresentar planos para áreas como educação, transporte, moradia, emprego, saúde e participação social.
A Lei 11.195/26 estabeleceu sanções administrativas para práticas discriminatórias contra pessoas idosas. Entre os casos previstos estão dificultar o acesso a estabelecimentos, impor exigências indevidas ligadas ao emprego e desrespeitar o atendimento preferencial.
Outras normas tratam de qualidade de vida e inclusão. A Lei 10.963/25 criou o Programa Idoso Ativo, com atividades físicas em casas de repouso, clínicas geriátricas e instituições de longa permanência. Já a Lei 6.559/2013 instituiu a Política Estadual do Idoso, voltada à autonomia, à dignidade, ao bem-estar e à participação social.
No mercado de trabalho, a Lei 10.355/24 criou o selo “Empresa Parceira da Terceira Idade”, destinado a reconhecer empresas que promovam a integração de pessoas idosas, com capacitação e adaptação das condições de trabalho.
Atividade física e independência
A fisioterapeuta Camila Chagas, de 34 anos, atende idosos que buscam recuperar movimentos cotidianos, como se vestir, calçar os sapatos ou alcançar objetos. Segundo ela, as dificuldades muitas vezes vêm acompanhadas de dores.
Os exercícios são ajustados às condições de cada pessoa, com mudanças na carga e no posicionamento ou substituição dos movimentos. O Ministério da Saúde informa que a atividade física ajuda a melhorar postura e equilíbrio, reduzir o risco de quedas e preservar a independência durante o envelhecimento.



