Edilson considera que as embaixadinhas se tornaram a principal marca de sua passagem pelo Corinthians. O ex-atacante contou que o gesto não foi planejado para a decisão do Campeonato Paulista de 1999, mas nasceu de uma postura que ele e Marcelinho já exibiam nos treinos e nas partidas.
"A embaixadinha não é nada mais do que isso, do que a gente fazia dentro de campo", afirmou Edilson, ao explicar a origem da cena. Segundo ele, o elenco tinha tanta confiança na própria qualidade que, em alguns momentos, trocava jogadas objetivas por dribles, chapéus e tabelas em vez de buscar o ataque.
A lembrança que ficou
Para o ex-jogador, o episódio passou a ocupar um espaço maior na memória dos torcedores do que outros momentos de sua carreira. Ele afirmou que muita gente se lembra das embaixadinhas mesmo quando não recorda outros títulos conquistados pelo Brasil.
Edilson disse também que a cena aparece com frequência em referências a confrontos entre Palmeiras e Corinthians. A identificação com o lance, de acordo com ele, fez com que a torcida adotasse o gesto como um símbolo: camisas e bandeiras com essa imagem passaram a fazer parte da relação construída entre o ex-atacante e os corintianos. Ele ainda contou que tem as embaixadinhas tatuadas no corpo.
A confiança do grupo também foi apontada por Edilson como um dos motivos para o Corinthians não ter conquistado a Libertadores em 1999 e 2000. Na avaliação dele, o time acabou se complicando diante do Palmeiras porque tentou ampliar a vantagem em vez de controlar o jogo. Na primeira eliminação, a equipe abriu 3 a 1, sofreu o empate e perdeu a decisão nos pênaltis.
Na edição seguinte, Edilson atribuiu parte do problema à expulsão que recebeu. Ele relatou que tentou separar uma discussão entre Marcelinho e Júnior, mas acabou sendo retirado de campo pelo ex-árbitro Oscar Roberto Godoi. Para o ex-atacante, a saída diminuiu uma característica importante do time e deixou Marcelinho e Luizão como os jogadores mais adiantados.
Mesmo com a expulsão, o Corinthians venceu por 2 a 0, mas voltou a ser derrotado nos pênaltis. Edilson afirmou que as duas eliminações ocorreram diante do mesmo rival e relacionou os resultados ao excesso de confiança apresentado pelo elenco.
A parceria com Marcelinho
Edilson descreveu Marcelinho como seu melhor companheiro entre os clubes por onde passou. Os dois, segundo o ex-atacante, conseguiam antecipar os movimentos um do outro e mantinham uma sintonia especial em campo.
Ele também avaliou que aquele Corinthians reunia jogadores com características variadas, como habilidade, força defensiva, velocidade, qualidade nas bolas paradas e presença na área. A convivência, porém, exigia administrar vaidades, já que vários integrantes do grupo tinham ambições relacionadas à Seleção Brasileira ou defendiam seleções de seus países.
Edilson afirmou que os conflitos eram deixados de lado quando a equipe entrava em campo. A irreverência, no entanto, fazia parte da rotina e, em determinadas partidas, acabava levando os jogadores a se desligarem do objetivo principal.
O ex-atacante disse ainda que se tornou corintiano depois de vestir a camisa do clube e que mantém uma relação próxima com os torcedores. Para ele, sua imagem atualmente está diretamente ligada ao Corinthians.



