SÃO PAULO — O ex-governador de São Paulo João Doria criticou o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto. Para Doria, a reunião, realizada em ano eleitoral antes da oficialização das candidaturas, não foi bem interpretada.
“É um fato único. Não se tem na história recente a imagem de um presidente em exercício dos Estados Unidos que tenha recebido um pré-candidato numa eleição presidencial”, afirmou Doria nesta terça (9).
O encontro ocorreu em 26 de maio, na Casa Branca, em Washington. Na ocasião, Flávio Bolsonaro pediu formalmente que o PCC e o Comando Vermelho (CV) fossem classificados como organizações terroristas nos Estados Unidos. A medida foi confirmada posteriormente por Trump.
A agenda também incluiu discussões sobre segurança pública, tarifas comerciais, minerais críticos e o cenário político brasileiro. Doria afirmou que Trump deveria receber os demais candidatos brasileiros e questionou a decisão de reunir-se com Flávio antes do registro das candidaturas.
Tarifaço
Doria falou com jornalistas depois de receber o cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Kevin Murakami, durante um seminário promovido pelo Lide sobre as relações bilaterais. O diplomata não comentou as tarifas anunciadas por Trump contra produtos brasileiros.
Questionado sobre a possibilidade de as barreiras comerciais favorecerem o presidente Lula na disputa eleitoral, Doria disse que não há vencedor nesse cenário. Na avaliação do ex-governador, os impactos atingem o setor produtivo brasileiro e também a condução política do país.
“Os dois saem perdendo, porque o Brasil perde”, declarou. Doria citou um sentimento de prejuízo econômico entre setores exportadores e afirmou que Lula e Flávio Bolsonaro são afetados pelas tarifas, por ocuparem posições centrais no debate político sobre a medida.



