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Documentário revisita a trajetória de Vera Valdez entre moda, cinema e teatro

Filme de Fabio Meira estreou na Première Brasil e integra a seleção da 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Documentário revisita a trajetória de Vera Valdez entre moda, cinema e teatro
Foto: Créditos/Reprodução Internet Vanity Brasil

A trajetória de Vera Valdez, considerada a primeira top model brasileira, é tema do documentário A Extraordinária Vida de Vera Valdez, dirigido por Fabio Meira. O filme estreou mundialmente na competição de documentários da Première Brasil, parte do Festival do Rio, que segue até 11 de outubro, e também foi selecionado para a 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Nascida no Rio de Janeiro em 1936, Vera era filha de diplomatas e teve uma infância marcada por conflitos nas escolas. Depois de ser reprovada no colégio americano local, foi enviada a Portugal, onde acabou expulsa por usar batom vermelho e vestido decotado.

Aos 15 anos, chegou a Paris em 1952 sem dominar o francês. Ao ser questionada se era modelo, respondeu que desejava ser. A partir daí, trabalhou por cerca de um ano com Elsa Schiaparelli, desfazendo a última coleção da estilista, e depois passou a integrar o grupo de modelos de Christian Dior, ao lado de Victoire Doutreleau.

Chanel, cinema e retorno ao Brasil

Em 1954, Vera foi escolhida para o desfile que marcou o retorno de Coco Chanel à moda. Tornou-se uma das modelos favoritas da estilista e integrou o grupo Les Blousons Chanel, que levava os ternos da maison para as ruas e a vida noturna de Paris. Mesmo dispensada por faltas e atrasos, voltou a desfilar para Chanel no último show da estilista, em 1971.

No fim dos anos 1950, aproximou-se do cinema da Nouvelle Vague. Teve relações com o ator Maurice Ronet e, no início dos anos 1960, com o diretor Louis Malle. De volta ao Brasil no fim da década de 1950, trabalhou na Casa Canadá, no Rio, e desfilou para Dener Pamplona de Abreu.

Vera também atuou em As Cariocas (1966) e O Homem Nu (1968). Foi casada brevemente com o ator Luís Linhares, com quem teve uma filha, e depois se casou com Pedro de Moraes, filho de Vinicius de Moraes. Dessa relação nasceu a atriz Mariana de Moraes.

Ditadura e Teatro Oficina

Durante a ditadura militar, Vera e o marido foram presos. Ela foi detida no DOI-Codi sob acusação de porte de cocaína, sofreu tortura e foi enviada a um sanatório. Depois de ser libertada, recebeu convites de Bernardo Bertolucci e Louis Malle para trabalhar no exterior. Retornou ao Brasil em 1982, após a Lei da Anistia.

No país, integrou o Teatro Oficina, de José Celso Martinez Corrêa, e participou de montagens como Bacantes e Os Sertões. Seu último trabalho nos palcos foi Vozes Humanas (2024).

Vera Valdez morreu em 14 de janeiro de 2026, em São Paulo, aos 89 anos. O Teatro Oficina anunciou a morte, que recebeu homenagens de Débora Bloch, Alessandra Negrini e Matheus Nachtergaele. Até o fim, ela atuou em A Alegria É a Prova dos Nove, na série Cidade Invisível (2023) e em projetos teatrais em 2024.

Nove meses após sua morte, o documentário aborda a passagem de Vera por Dior e Chanel, sua proximidade com a Nouvelle Vague, a maternidade, a prisão e a tortura durante a ditadura. A produção reúne depoimentos de Mariana de Moraes e Paula Valdez Linhares.

Texto produzido pela Redação Giro da Torcida com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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